Rádio do Comércio - 30 Anos de Liberdade
 

Histórico

A ditadura era quem mandava no país. Muitas rádios estavam sendo fechadas pelo governo militar que só permitia que ficasse no ar, emissoras que não propagassem nenhuma ideologia política. Em meio a toda essa censura, surge a "Rádio do Comércio", no interior do Estado do Rio de Janeiro.

Em 1967, foi aberto um edital de concessão de emissoras. Três jovens da cidade de
Barra Mansa, Ildeu Nodge Alves, Oscar Gabrig e Willis de Castro Rolin, conseguem dar início a um projeto de radiofusão que levou, desde a concessão, dois anos para se instalar. Assim em 16 de abril de 1969, entrava no ar a AM 480, "Rádio do Comércio". Com uma programação mais musical e um jornalismo enfraquecido por causa da ditadura, a "Rádio do Comércio" começou a trabalhar no sentido de sempre buscar a liberdade de expressão.

Entre os seus fundadores, somente o senhor Ildeu Nodge Alves, permaneceu na
atividade, concentrando todo o patrimônio da rádio em suas mãos.

Ao falar sobre os tempos de censura ferrenha, Ildeu lembra as dificuldades e expõe
como é gratificante saber que a emissora sobrevive até hoje sendo imparcial: " A época de censura fez que nós, profissionais de rádio, valorizássemos ainda mais a liberdade
de expressão. Foram muitos anos tendo que ir todo o mês até a Polícia Federal em
Nova Iguaçu, para poder pegar o" Alvará de Censura". Sem esse alvará, não podíamos trabalhar. Com isso, a "Rádio do Comércio" procura até hoje, fazer um trabalho construtivo. A rádio não tem cor, religião e muito menos facção política. A ditadura nos
fez passar por tempos penosos, porém ela nos ensinou a transmitir princípios sadios e humanitários,ela mostrou para nós da "Rádio do Comércio" que a liberdade é
fundamental para a construção da cidadania".

Baseado nesse depoimento do senhor Ildeu Nodge Alves, percebe-se que nos primeiros quinze anos de existência, a "Rádio do Comércio" trilhou por um caminho em que os principais fatos do país eram noticiados como os militares queriam. Com a chegada do último presidente militar, o General João Figueiredo (1979-1985), o Brasil entra no processo de redemocratização.

No rádio, o governo Figueiredo, concedeu em 1980 a anistia a vários radialistas cassados após ao golpe militar de 64. Esse tipo de acontecimento foi fundamental para finalmente as rádios abrirem suas programações de acordo com interesse público.

E assim, a Rádio do Comércio o fez. Evoluindo de acordo com as necessidades exigidas pelo público e mercado, a emissora investiu em equipamentos e pessoal. Hoje, sua programação é diversificada e atende aos interesses dos ouvintes, principalmente no
que diz respeito aos fatos ocorridos em Barra Mansa e Volta Redonda. Nos últimos dois anos, a emissora investiu em sua informatização, o que proporcionou um melhor aperfeiçoamento técnico de seus profissionais, reduzindo a improvização no sistema de trabalho. A técnica inforrnatizada colaborou para que o jornalismo se tornasse mais dinâmico e ativo, com a participação constante em quase toda a programação. Com
essa medida, a rádio vem mais uma vez provar que nesses trinta anos, é uma escola
de liberdade, fundamentada no espírito de equipe e profissionalismo.

Função Social

O rádio é o meio de comunicação mais abrangente que existe. Ele chega aos pontos
mais distantes e influencia no senso crítico daqueles que até mesmo são analfabetos.
Daí a importância de se fazer um trabalho social com responsabilidade. E é com esse pensamento que a "Rádio do Comércio" chega até os seus ouvintes. Não adianta ter
em mãos, depois de muitos anos de censura, a "livre manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação", sem respeitar a capacidade que o ouvinte tem
de pensar. Dessa forma, a emissora faz de sua principal programação uma fonte de informação, cultura e educação, sempre possibilitando o ouvinte de interpretar e se quiser, debater as idéias e fatos da região.

A "Rádio do Comércio" procura, no sentido mais puro da palavra, ser democrática em tudo o que faz. Isso foi percebido em várias visitas feitas à emissora. Seja qual for o programa, qualquer um pode colaborar para o enriquecimento da cidadania regional.
Até mesmo nos horários terceirizados, já citados, pode-se perceber, que oferecendo idéias completamente opostas, a "Rádio do Comércio" colabora para divulgar coisas
de interesse público, estimulando o ouvinte a participar da história política da cidade e quem sabe mudar, o panorama político que se encontra na região.

Assim, a "Rádio do Comércio" vem cumprindo sua função social. Respeitando os direitos da pessoa humana, das instituições sociais, políticas e religiosas", mas nunca fugindo
ao seu ideal que é debater democraticamente idéias e tentar contribuir para a
construção de uma sociedade melhor.

Conclusão

Depois de alguns meses conversando, e até vivendo o dia-a-dia da rádio, chego a conclusão que foi citada na introdução do projeto; fazer rádio realmente é algo
fascinante. Porém, para sobreviver numa cidade do interior por 30 anos, só mesmo
sendo um ideal de vida. Esse ideal foi percebido no decorrer das diversas entrevistas feitas com o fundador da Rádio do Comércio, senhor Ildeu Nodge Alves.

Nas entrevistas que Ildeu concedeu ao projeto, ficou claro que para se atravessar a censura e não se vender ao seu principal e mais rico concorrente, só mesmo tendo
um ideal de vida. Hoje, as pessoas que conhecem as histórias da "Rádio do Comércio" desde o princípio, sabem que a emissora se tornou um patrimônio do povo. A "Rádio
do Comércio" não tem cor, religião, e muito menos facção política.

Os ouvintes têm discernimento suficiente para entender qual é a verdadeira linha da rádio. Portanto, os horários terceirizados por alguns, não atrapalham a audiência da emissora.

Eles também se mostram muito participativos. A "Rádio do Comércio" chega a receber
por mês, mais de 10 mil cartas. Esse número vem de encontro a liderança de audiência que a rádio tem pelo menos na parte da manhã. São mais de 25 mil ouvintes por hora, segundo uma pesquisa realizada pelo INFORMA (Instituto Pesquisa e Estatística).

Por tudo isso, a "Rádio do Comércio" se tornou tradicional. Na frequência de
14,50 Khz AM e uma potência de 5.000 KW, a emissora já cobre todo o Sul do Estado
do Rio de Janeiro, Sul de Minas Gerais e Norte de São Paulo. Mesmo tendo muito que crescer, pode-se dizer que a Rádio do Comércio possui uma tecnologia de ponta.
Se comparado a outras emissoras, pode se encontrar até algo maior, mas nunca
usado da forma que deveria. Ou seja, delimitando entre Barra Mansa e Volta Redonda, nenhuma rádio presta serviço para a comunidade da forma que a comércio faz.

A emissora busca fazer um jornalismo dinâmico em toda sua programação. Qualquer notícia ; que seja de interesse público vai ao ar em qualquer programa. A prioridade é para o jornalismo.

Parte do " Projeto de Monografia" escrito pela Jornalista
APARECIDA AGUIAR DA SILVEIRA




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